Quem sou eu…
Escrever um Memorial é realizar uma obra literária que exige que o tema seja o próprio eu e sugere a imprudência da escrita autobiográfica. Hoje, sabe-se do súbito prestígio do ego historie que vem se juntar ao argumento prático. Mas, na carreira universitária essa revisão deve ser permanente. Os progressos surgem como conseqüência natural do trabalho e do estudo, pois quanto mais intensa for a atividade acadêmica, maior é o julgamento pelos seus pares.Pelo próprio gênero do texto se sente dificuldade em apresentar o eu de forma impessoal, sendo que ao sujeito que escreve é suposto conhecer-se a si mesmo (auto-conhecimento). Entretanto, este Memorial pretende ser uma obra escrita fundamentando-se no compromisso da verdade, da seriedade, da convicção e da documentação.
No princípio era a inquietação do não saber o que fazer da vida depois de crescer, sendo levada pela busca infanto-juvenil de proteção dos animais e das pessoas dividindo o sonho de ser uma Veterinária ou Enfermeira. Mas, com dezesseis anos a decisão familiar precoce me fez iniciar a minha caminhada profissional na área da educação no ano de 1984.
Nesta época fui convidada para participar do projeto de fundação de uma escola de ensino privado, sendo estudante secundarista aspirante ao Curso de Enfermagem. No entanto, a imposição familiar implicou em ministrar aulas para crianças da 2ª série do primário, denominação da época. Além de lecionar teria também que executar atividades pedagógicas inerentes ao manejo das atividades da escola.
Este primeiro emprego inviabilizou totalmente os estudos na área da saúde devido não comungar com aqueles que desvalorizam a formação técnico-pedagógica dos professores. Assim, lecionar para crianças e desconhecer o universo infantil me pareceu estranho por acreditar que a tarefa não se tratava apenas de repasse de conhecimentos, e sim de uma transformação da criança, envolvendo mecanismos psicológicos amplos numa interação sujeito-mundo.
Neste sentido, a simples instrução não conseguiria explicar problemas eventuais e permanentes de aprendizagem. Esta concepção de educação me causava inquietações que não compreendia, pois era um sentimento intuído da necessidade de uma prática transformadora que perpassava pela teoria e pela ação.
Frente a este novo cenário fiz uma (re)opção no ano de 1983 pelo Magistério com estudos noturnos na Escola Professor Ronald da Silva Carvalho dividida com a jornada diária dedicada às crianças das turmas da 2ª série, no turno matutino, e com outras atividades pedagógicas e administrativas do turno vespertino.
Nestes termos, muitas dificuldades apresentaram-se e na busca de superação prestei seleção para o vestibular no CEUMA, sendo na época a primeira faculdade particular de São Luís. Durante o ano de 1991 cursei o Curso de Letras à noite. Mas, as condições financeiras me fizeram abandonar a faculdade particular. Foi assim que no 1992 obtive aprovação para o Curso de Letras da UFMA, tendo cursado até o 4º período, pois, neste mesmo ano, coerente com a decisão de dedicação à educação e com a necessidade de trabalhar e estudar me submeti a um novo vestibular. Desta vez, na Universidade Estadual do Maranhão, tendo optado pelo Curso de Pedagogia no período noturno.
A formação profissional continuou sendo definida ainda em 1992 quando obtive aprovação para o Concurso Público de professor do Estado, sendo configurada uma ação de educadora que não se contentava em reciclar as ações, por estabelecer uma busca constante de superação a partir de novos conceitos de se pensar e fazer o processo de aprendizagem, estando de acordo como o afirmou Paulo Freire “ultrapassar a visão fragmentada da realidade” levaria a superação das concepções fragmentárias, exclusivas e maniqueístas de formação.
No Curso de Pedagogia destaco a minha participação no Programa Universidade Solidária que durante o período de dezenove de janeiro a seis de fevereiro de 1998 me possibilitou desenvolver atividades acadêmicas em parceria com outros alunos dos Cursos de Pedagogia, Geografia e Letras, desenvolvendo também atividades pedagógicas e de formação com a comunidade e professores da cidade de Coronel João Sá no Estado da Bahia.
Por sua vez, configurava-se uma trajetória acadêmica relacionada com a trajetória profissional, estando de acordo com Freire quando afirma que: “A questão da coerência entre a opção proclamada e a prática é uma das exigências que educadores críticos se fazem a si mesmos. É que sabem muito bem que não é o discurso que ajuíza a prática, mas a prática que ajuíza o discurso”. (FREIRE, 1998, p. 25).
Nestes termos, continuei os estudos buscando conciliar a necessidade de trabalhar com o compromisso de atualização profissional por meio dos estudos. Foi assim que no período de março a dezembro de 1999 cursei a minha primeira pós-graduação latu senso, tendo optado pelo Curso de Psicopedagogia pela Universidade Federal do Rio de Janeiro. Além, da formação continuada esta opção visou atender as necessidades da trajetória profissional como professora na escola pública, e, para o exercício da função de Orientadora Educacional em uma escola particular de São Luís.
Esta busca constante pelo conhecimento e pela inovação pedagógica foi acrescentando experiências na área educacional que foram colocadas à prova sempre que surgia um novo desafio. Foi quando, em 2001, fui convocada para substituir o supervisor de Informática Educacional, daí surgindo o compromisso profissional de fazer outra pós-graduação desta vez em Informática na Educação pela Universidade Federal do Maranhão, tendo recebido o título de especilaista em junho de 2003.
Ressalta-se que ao longo deste processo de formação continuada conciliei os estudos em cursos seqüenciais, de finais de semana ou à distância, pois sempre acreditei na concepção de educação do cidadão de forma continuada, por trazer agilidade e qualidade à formação de graduados tanto no mundo acadêmico quanto no mundo do trabalho, viabilizando o aporte de recursos humanos necessários à competitividade em uma sociedade que ao mesmo tempo que amplia as oportunidades de empreendimentos dificulta o acesso, impedindo a aquisição de complexas competências como fator fundamental de desenvolvimento do nosso país.
Entretanto, passei a observar a realidade com o olhar atento na busca de respostas aos problemas educacionais, realizando projetos com os alunos da escola pública, buscando favorecer o contato com a educação tecnológica e o aprendizado de noções de informática em parceria com o estudo sobre a cidade, tais como: “São Luís, Patrimônio da humanidade, na telinha do Computador” e “Centro Histórico de São Luís: conhecer para preservar e amar”. Este último, é desenvolvido em parceria com os alunos, visando a pesquisa, o registro fotográfico e textual para posterior divulgação na página eletrônica www.novoacesso.com.br
Desta forma acredito que a formação do educador se torna imperiosa quando a aquisição de conhecimentos é colocada à serviço do embasamento teórico-conceitual para atuação na educação e, em especial nas instituições de ensino e não somente a serviço das metas de realização profissional. Para que essas mudanças tão almejadas aconteçam necessita-se de ambientes educativos que sejam capazes de impactar os conhecimentos apreendidos, bem como desenvolver a autonomia e pensamento crítico dos sujeitos envolvidos no processo de ensino e aprendizagem.
Sendo assim, objetiva-se levantar uma discussão e reflexão acerca da formação tecnológica do professor e suas práticas frente ao desafio da superação dos modelos tradicionais de ensino rumo a um novo cenário que incorpore os avanços tecnológicos aos processos da escola, em especial da sala de aula. Acreditando-se que a inserção dos computadores na sala de aula contribua efetivamente para a transformação do papel do professor e do aluno em direção ao aprendizado no qual se ensina e se aprende a partir do concreto.
O tempo que me levou a escrever este, parecia estimular esperanças excessivas. Mas, prefiro acreditar que esta nova busca faça parte da vida do homem, acreditando também que esta mesma vida mereça constante reavaliação e que geralmente, os maiores progressos são conseguidos nos momentos de necessidade ou de grande crise.


